O património das Tradições Musicais da Região Oeste como recurso de desenvolvimento cultural sustentávela hipótese de um ecomuseu more |
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Faculdade de Ciencias Sociais e Humanas
Universidade Nova de Lisboa
2007-2008
Departamento de Historia
Mestrado em Praticas Culturais para Munitipios
Seminario: Patrimonio e Museus
Docente: Df1 Graca Filipe
0 patrimonio das Tradicoes Musical's da Regiao Oeste
como recurso de desenvolvimento cultural sustentavel
- a hipotese de um ecomuseu
Rui Matoso
Fevereiro 2008
Rui Matoso, 2008 - mi.matosofgigmail.com
r
Indice
I - O patrimonio cultural imaterial em questao
1. Apresentacao
2. A cultura como vector do desenvolvimento sustentavel
3. O patrimonio cultural imaterial como recurso de desenvolvimento
4. As tradicoes musicais na Regiao Oeste
5. Espolios passiveis de integrar um acervo
II - A hipotese de um ecomuseu
6. A nocao de ecomuseu de desenvolvimento
7. A gestao participativa do patrimonio
8. Delineamento conceptual: um ecomuseu das Tradicoes Musicais da Regiao Oeste
9. Funcoes, servicos e componentes
10. Aspectos programaticos: estrategia de desenvolvimento
11. Apontamentos sobre a estrategia
12. Conclusao
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I - O patrimonio cultural imaterial em questao
Enfin et surtout, iln'y a pas de moclele, pas de regie.
Ces musees, ou ecomusees, son tous differents les uns des autres,
non pas seulement par la nature de leur patrimoine et leur communaute,
mais par I'histoire de leur processus.
Hugues de Varine (2002), p. 175
1. Introdu?ao
Ate ao ultimo momento da redaccao deste breve trabalho mantivemos a duvida quanto a
utilizacao do termo "ecomuseu", tal facto prende-se com alguma ambiguidade teorica no uso deste
conceito e com a realidade ecomuseologica nacional que assenta, quase exclusivamente, numa
perspectiva englobante dos varios generos de patrimonio (tangivel) de um determinado territorio,
normalmente associado a uma regiao demarcada e sob tutela da administracao municipal.
No caso do patrimonio imaterial das tradicoes musicais (e orais) da Regiao Oeste a extensao
geografica abrange diversos concelhos, pelo que se torna inconcebivel partir da ligacao directa entre
patrimonio e territorio fisico. De facto existem duas abordagens distintas quanto ao modo de
observar o entrecruzamento entre patrimonio e territorio. O Patrimonio material imovel e por
natureza enraizado e tern como paradigma museologico a conservacao; mas o patrimonio imaterial
e dinamico por natureza, move-se pelos corpos e pelos territorios, estabelecendo-se e criando
tradicoes mais ou menos duradoiras. Por esse motivo a salvaguarda do patrimonio imaterial nao
reside tanto na sua conservacao mas antes no "dinamismo" gerado em seu torno. No entanto, seria
errado pensar as duas categorias de patrimonio separadamente, ambas se relacionam sob multiplos
aspectos.
A decisao de manter neste trabalho a terminologia "ecomuseu" prende-se com as restantes
preocupacoes da Nova Museologia e com as reflexoes teorico-praticas de Hugues de Varine,
designadamente porque o museu «e antes de mais um instrumento - suplementar e complementar-
para acompanhar e alimentar as dinamicas de desenvolvimento do territorio. O museu e testemunho
da implicacao da comunidade, que se empenha pelo seu patrimonio num movimento
colectivo.» (Varine, 2005).
Em termos de desenvolvimento cultural sustentavel, o ecomuseu representa:
- A possibilidade de manter um processo longo e multiforme que acompanhe o desenvolvimento;
- A participacao dos membros das comunidades enquanto actores e agentes de desenvolvimento;
- Uma fonte de educacao popular e de transmissao cultural, de abertura ao mundo e as outras
culturas atraves de um dialogo intercultural;
- O exercicio da Democracia Cultural e da Cidadania.
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2. A cultura como vector do desenvolvimento sustentavel
Proliferam, segundo os autores e as epocas, as definicoes do termo "cultura". Contudo, a
nocao de cultura que aqui nos interessa deve ser o mais abrangente possivel e nao-sectorialista, pelo
que usaremos a defmicao promulgada na Conferencia Mundial sobre Pollticas Culturais
(Mondiacult), realizada no Mexico, em 1982 : A cultura, no seu sentido mais amplo, pode
considerar-se actualmente, como um conjunto complexo das dimensdes distintivas espirituais e
materials, intelectuais e afectivas que caracterizam uma sociedade ou grupo social. Ela engloba as
artes e as letras, os modos de vida, os direitos fundamentais do ser humano, os sistemas de valores
e crenqas. E a cultura que da ao ser humano a capacidade de reflectir sobre si mesmof...).1
A declaracao da conferencia mundial sobre desenvolvimento sustentavel, realizada em
Joanesburgo (2002), afirma que o desenvolvimento sustentavel e construido sobre tres pilares
interdependentes e mutuamente sustentadores: desenvolvimento economico, desenvolvimento
social e proteccao ambiental. Este paradigma reconhece a complexidade e o interrelacionamento de
questoes criticas como pobreza, desperdicio, degradacao ambiental, decadencia urbana, crescimento
populacional, igualdade de generos, saude e direitos humanos.
Em Portugal, a Estrategia Nacional Para o Desenvolvimento Sustentavel (ENDS) pressupoe
«a preocupacao nao so com o presente mas com a qualidade de vida das geracoes futuras,
protegendo recursos vitais, incrementando factores de coesao social e equidade, garantindo um
crescimento economico amigo do ambiente e das pessoas. Esta visao, integradora do
desenvolvimento, com harmonia entre a economia, a sociedade e a natureza, respeitando a
biodiversidade e os recursos naturais, de solidariedade entre geracoes e de co-responsabilizacao e
solidariedade entre paises, constitui o pano de fundo das politicas internacionais e comunitarias de
desenvolvimento sustentavel.»2
A Conferencia Intergovernamental sobre Politicas Culturais para o Desenvolvimento^
organizada pela UNESCO em Estocolmo, entre 30 de Marco e 2 de Abril de 1998, reconhece como
primeiro principio que «desenvolvimento sustentavel e o florescimento cultural sao
interdependentes», recomendando aos Estados diversos objectivos, sendo o primeiro «tornar a
politica cultural uma componente chave das estrategias de desenvolvimento sustentavel)).
Tres anos depois, em 2001, e aprovada em conferencia geral da UNESCO, a Declaracao
Universal da UNESCO sobre a Diversidade Cultural, a qual viria a ser complementada pela
Convencao sobre a Proteccao e a Promocao da Diversidade das Expressoes Culturais, adoptada a 20
1 UNESCO, Declaragao da Conferencia Mundial sobre Politicas Culturais, Cidade do Mexico, 1992
2 Fonte: www.desenvolvimentosustentavel.pt [Consultado em 12/09/2007]
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de Outubro de 2005, em Paris.
A UNESCO afirma que a «diversidade cultural e, para o genero humano, tao necessaria
como a diversidade biologica para a natureza.» (Artigo 1, Declaracao Universal da UNESCO sobre
a Diversidade Cultural).
A diversidade cultural e a biodiversidade relacionam-se de modo sinergico e
interdependente, constituindo factores fundamentais e complementares para a promocao do
desenvolvimento sustentavel.
Esta interdependencia e facilmente observavel ao nivel linguistico: um estudo realizado pelo
Worldwide Fund for Nature (WWF) atesta que ha 6.500 grupos linguisticos cujo risco de extincao
cresce a um ritmo acelerado. No ultimo seculo, o mundo perdeu 4 mil das suas dez mil linguas e
50% das remanescentes estao ameacadas, em especial nas Americas e na Australia. Ora, tal como
acontece em termos de biodiversidade, a extincao de uma tecnologia cultural - modo de fazer/saber
- e irreparavel.
A inter-relacao entre os dois generos de patrimonio, o biologico e o cultural - diversidade
biocultural-, coloca igualmente em evidencia a relacao existente entre patrimonio material e
patrimonio imaterial, entre formas de conhecimento tradicionais e materials de construcao naturais
(certos tipos de madeira de arvores que dependem da preservacao do patrimonio ambiental, por
exemplo).
O investigador australiano Jon Hawkes, num documento intitulado The fourth pillar of
sustainability, Culture's essential role in public planning3, formulou a necessidade de estruturar e
acrescentar uma nova face ao triangulo do desenvolvimento - transformando-o assim em
quadrilatero-, e que seria um novo pilar para a sustentabilidade e desenvolvimento local: a Cultura.
Deste modo, para alem dos obrigatorios estudos de avaliacao do impacto ambiental, ter-se-ia
igualmente que ter em consideracao uma avaliacao do impacto cultural.
A Agenda 21 da Cultura4 integra nos seus principios as preocupacoes com a diversidade
cultural (Principio 1) bem como partilha as preocupacoes relativas a proteccao da diversidade
ambiental (Principio 2). KAgenda 21 da cultura e o primeiro documento com vocacao mundial, que
pretende estabelecer as bases de um compromisso das cidades e dos governos locais para o
desenvolvimento cultural, tendo por base os quatro vectores essenciais do desenvolvimento
sustentavel: Meio Ambiente, Coesao Social, Cultura e Economia.
3 Cf. RUIZ e DIETACHMAIR, p.27
4 http://www.agenda21culture.net/docs/ag21c_pt.pdf. [Consultado em 08/02/2008]
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3. O patrimonio cultural imaterial como recurso de desenvolvimento
Tendo em consideracao a perspectiva que entende a cultura como consubstancial ao
desenvolvimento, todos os bens que «sendo testemunhos com valor de civilizacao ou de cultura
portadores de interesse cultural relevante»5 integram os recursos ao dispor de determinada
comunidade e territorio, devendo por isso ser objecto de proteccao e valorizacao.
Quando evocamos a valorizacao do patrimonio imaterial, convocamos um tipo de
patrimonio que e por natureza portador da tradicao, representando uma continuidade do passado -
transportado entre geracoes- permanentemente alterado e renovado. E portanto um patrimonio vivo,
um patrimonio que circula entre as pessoas, que acrescenta saber, que gera emocoes, comunica
memorias,que infunde valores e capacidade criativa.
Esta dimensao valorativa do patrimonio imaterial devera ser complementada com uma
adequada proteccao desse mesmo patrimonio, renegando ao mesmo tempo uma visao cristalizante e
nostalgica da memoria e do passado. Pois, se temos o dever de conservar para transmitir, alias um
duplo dever, quer face aos nossos antepassados quer face as nossos filhos, nao nos podemos
conformar com uma atitude conservacionista tida como um «verdadeiro trabalho de luto
relativamente a um mundo em irreversivel desaparecimento.» (Guillaume, p.39). Conservar, em
materia de desenvolvimento, nao pode ser entendido como sinonimo de esterilizacao do patrimonio
(Varine, 2002, p. 112) no interior asseptico das vitrines de um museu, sob um qualquer pretexto de
economia cultural, como vem amiude acontecendo ultimamente em Portugal numa febril demanda
pela "vantagem competitiva" associada ao turismo.
Enquanto catalizador daquela "viragem patrimonial", o movimento inaugurado pela Nova
Museologia veio a permitir um enfoque na envolvente contextual dos museus -nas pessoas e nos
territorios- desviando-se assim da atencao obsessiva sobre os "objectos da memoria". E com este
renovado olhar que Hugues de Varine defende que «o patrimonio nao e uma coisa do passado, ele
representa uma continuidade no presente e para o futuro (...) uma reflexao colectiva que possibilite
os usos possiveis desse patrimonio. E de transformacao que se trata, ao servico do
desenvolvimento.»6
De facto, para os habitantes de um determinado territorio, todos os elementos patrimoniais
fazem parte do seu contexto de vida, sendo por isso um aspecto da cultura viva das populacoes e ao
mesmo um recurso para o seu desenvolvimento. E essencialmente devido a este entrelacamento
substantivo entre cultura e vida -ou entre cultura e sociedade- que, sem a existencia de uma
5 Lei 107/2001 "D.R. I Serie A"(8 de Setembro). Art.2°.
6 VARINE (2007). Sublinhados do autor. A traducao do frances e da minha responsabilidade.
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participate) dinamica de largos sectores da populacao, nenhum desenvolvimento efectivo e
duradoiro se consegue. Daqui resulta que, como salienta H. de Varine no seu corolario, nao existira
desenvolvimento sem a participacao efectiva, activa e consciente da comunidade detentora do
respectivo patrimonio. (Varine, 2002, p. 15)
No que respeita a dimensao cultural do desenvolvimento sustentavel cujo recurso e o
patrimonio cultural, a participacao das comunidades devera ser tornada efectiva nas diversas fases e
tarefas da sua realizacao. Desde os processos de inventario a gestao quotidiana do patrimonio, a
participacao motivada, consciente e informada das comunidades e um factor indispensavel para um
projecto de territorio.
Como exemplo de um processo de "inventario participativo" veja-se o caso da cidade de
Viamao (Brasil), cuja concepcao do inventario possibilitou igualmente o debate sobre o «direito de
decidir o que eeo que nao e possivel de preservacao e, portanto, merece todos os esforcos do poder
publico para a sua valorizacao, difusao e preservacao.»7
7 ORTIZ, Renato. Inventario Participativo de Viamao: uma salutar discussao sobre o direito de valorizar. Jornal
Quarteirao , n° 45 , Nov/Dez- 2001- Rio de Janeiro. [Versao electronica]. Disponivel em
http://www.quarteirao.com.br. [Consultado em 09/02/2008].
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4. As tradicoes musicais da Regiao Oeste
Assumindo que o catalizador deste breve estudo em torno do patrimonio imaterial e a obra
de Jose Alberto Sardinha « Tradicoes Musicais da Estremadura», pensamos ser necessario proceder
a um reajustamento do ambito geografico de modo a perspectivar um projecto de desenvolvimento
com um grau satisfatorio de eficacia.
A Estremadura foi uma antiga comarca portuguesa estabelecida na Idade Media e extinta no
seculo XIX, devendo o seu nome derivar do latim Extrema Durii (extremos do Douro), por designar
os territorios reconquistados, na sequencia da denominada "Reconquista crista", para Sul do Douro.
A divisao territorial adoptada por Jose Alberto Sardinha surge da reforma administrativa de
1936 na qual foi novamente criada a Provincia (ou regiao natural) da Estremadura.
Ernesto Veiga de Oliveira, no livro "Instrumentos Musicais Populares Portugueses", tera
partido da divisao que Orlando Ribeiro preconiza como Portugal Atlantico, Transmontano e
Mediterraneo (Morais, 1995). Todavia, no seu «Pequeno Guia para a Recolha de Instrumentos
Musicais Populares» e possivel verificar a seguinte lista de instrumentos musicais identificados na
Estremadura:
a) Concertina / Harmonica / Gaita de beigos / Guitarra / Banjo / Flauta: conjuntos populares que tocam
musica festiva e coreografica regional (de Alcobagapara o Sul)
b) Gaita de foles: figurava em todas as festas, sem qualquer outro instrumento; subsiste nas areas de
Caldas da Rainha e Torres Vedras.
c) Violao / Guitarra / Clarinete / Harmonica / Ferrinhos / Cdntaro de barro com abano / Pinhas /
Garrafa com garfo: Acompanham cantares e dangas dos grupos folcldricos locals. (Oliveira, 1975)
Apesar da convergencia, no uso da demarcacao territorial denominada "Estremadura" pelos
investigadores atras referenciados, a nossa proposta vai no sentido de reduzir a escala de
intervencao a zona geografica hoje reconhecida como Regiao Oeste, a qual se encontra situada ao
centro da Estremadura, como e possivel verificar na imagem (ver anexo 1).
No campo de investigacao do patrimonio das tradicoes musicais, bem como do seu uso
como recurso de desenvolvimento, nao estamos perante uma situacao identica a "denominacao de
origem controlada" (como nos acontece na producao vinicola), porquanto aquilo que interessa
observar nao e tanto o local de origem ou de nascimento dedeterminada manifestacao, mas sim o
territorio que a manteve ao longo dos tempos, ate porque «a musica de tradicao oral nao possui
certidao de nascimento» (Sardinha, p. 28). Neste sentido e possivel verificar, tal como demonstram
as gravacoes efectuadas pelo etnomusicologo, que muitas das tradicoes orais e musicais se
encontram ainda na memoria incorporada em diversos informadores e em varias localidades da
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Regiao Oeste.
Com o redimensionamento agora proposto nao se pretende obviamente segmentar um
patrimonio que por natureza e vivo e circulante -que nao se deixa fixar pela demarcacao e
denominacao territorial-, mas antes criar um ambito de encontro entre uma dimensao patrimonial e
uma geografia cultural de pertenca contemporanea. Hoje, o Oeste e os Oestinos* sao uma realidade
cultural efectiva expressa numa topofilia9 generalizada, basta para tal verificar o uso destes dois
vocabulos na comunicacao verbal e escrita presente no espaco publico, designadamente na
veiculada pelos orgaos de comunicacao social. Algumas das actuais entidades demonstram
igualmente essa co-pertenca: Regiao de Turismo do Oeste, Associacao de Municipios do Oeste ou a
Comunidade Urbana do Oeste. Entidades e instituicoes que, pela sua natureza publica, se devem ter
em consideracao no apoio a um projecto de desenvolvimento cultural enraizado no territorio que
defendem e promovem.
No interior do vasto repertorio das tradicoes musicais importa indexar a musica instrumental
e a musica vocal as respectivas funcionalidades, que segundo a metodologia de Jose Alberto
Sardinha, se distinguem nas seguintes funcoes: O Trabalho, o Sagrado, o Amor e Divertimento. Este
sistema de classificacao permite estabelecer ligacoes com pesquisas etnograficas especializadas em
cada uma dessas actividades. Assim, se na musica que acompanha o trabalho impera a expressao
vocal, a musica coreografica associada aos «bailhos» tradicionais e predominantemente
instrumental (Sardinha, p. 41).
Dado que o patrimonio imaterial carece de alguma materialidade onde se possa inscrever,
existe todo o interesse em coloca-lo em comunhao com o universo social e material, isto e, com os
testemunhos das pessoas que os produzem e com as suas diversas expressoes, bem como com os
utensilios usados nas mais diversas tarefas, incluindo-se naturalmente os instrumentos musicais.
8 A proposito deste termo seria Ml conferir a obra de ficcao precisamente intitulada "Oestinos" de Andrade Santos,
pulicado em 1976 pela Seara Nova. Livro que, segundo conversa mantida com o autor, convoca uma leitura
sociocultural do territorio, na esteira da melhor prosa do "realismo magico".
9 A topofilia e o sentimento de pertenca a um espaco geografico de residencia, trabalho e/ou lazer, que reflecte os
niveis de conforto ambiental, social, economico, cultural, politico, psicologico ou outro que um territorio
proporciona as pessoas.
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5. Espolios passiveis de integrar um acervo
Apesar de ainda nao existir uma politica de aquisicao e recolha de espolio ou coleccoes,
definimos aqui uma tipologia util para uma futura definicao dessa mesma politica.
5.1 - Grava?6es / fonogramas
A partir da investigacao e das gravacoes fonograficas recolhidas em «Tradicoes Musicais da
Estremadura» procedemos a uma inventariacao sumaria de acordo com as funcoes anteriormente
mencionadas e os respectivos ciclos funcionais ou actividades:
O Trabalho Designa^ao / Lugares (registos fonograficos)
Ciclo do pao Aboio / Torres Vedras
Sementinha / Leiria
S. Joao / Reguengo do Fetal
Cantiga da Debulha / Mafra
Ciclo do vinho Falar as Enxadas / Batalha
Cantiga da Pisa da Uva / varios
Outros cantos do trabalho agricola Cantiga da azeitona / Caldas da Rainha
Ai, solidao, solidao / varios
Desgarrada / varios
Cantiga do boieiro / varios
Cantar da Marra / varios
Pregoes Pregao do amolador / Torres Vedras
Pregao dos morangos / Sintra
Pregao da fruta / S. Monte Agraco
Pregao do peixe / varios
Pregao do leite / varios
Pregao do cauteleiro / Lisboa
Pregao do leiteiro
Cantigas do mar Leva-leva / Peniche
Romanceiro Romance de D. Mariana / Torres Vedras
Romance do Gerinaldo / varios
Romance da Vitorina / Torres Vedras
Romance do soldadinho / Alcobaca, Vigia
Romance da Juliana/ Alcobaca, Vigia
Romance do Bernal Frances / varios
Romance de D. Infanta / Caldas da Rainha
Nau Catrineta / Batalha
Preso vai o conde preso / varios
Conde da Alemanha / varios
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Romance do lavrador / varios
Emilia Guerra / varios
Historia do sabio e do Barqueiro / varios
Linda Pastorinha / Batalha
Tiro-liro-liro / Mafra
Donde vens tu, 6 Carminda? / Batalha
Embalos Cantiga de embalar / Mafra
Embalo / Peniche
O Sagrado
Ciclo de Inverno
Designa^ao / Lugares (registos fonograficos)
Pao por Deus / Torres Vedras
Pedir bolinhos / Leiria
Menino Jesus / Bombarral
Boas-festas / Peniche
Janeiras do Natal / Bombarral
Bons Reis Magos / Cadaval
Cantar dos Reis / Alenquer
Os tres Reis Magos / Alenquer
Janeiras / Peniche
Musica da vespera do dia de Natal e do dia de Reis
Reis (Grandes)
Cantico a S. Sebastiao / Batalha
Dialogo ente Jorge e Jacinto (Entrudo)
Moda do Entrudo / Mafra
Marcha do Entrudo / Torres Vedras
Contradanca / Lourinha
Corridinho do Carnaval / Torres Vedras
Pulhas do Entrudo / Mafra
Lamentar das Almas / Lourinha
Almas Santas / Maceira
Brado das Almas / Maceira
Canto da Veronica / Mafra Azueira
Terco da Quaresma / Batalha
Ladainha a N. Senhora / Batalha
Serracao da Velha / Lourinha
Lamentacao da Velha / Alcobaca
Resposta a lamentacao da Velha / Alcobaca
Coro da serracao da velha / Alcobaca
Martirios do Senhor / varios
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Bom Jesus do calvario / Batalha
As «excelencias» da Virgem / Caldas da Rainha
Ciclo Primavera / Verao
Aleluia / Cadaval
Ladainha de todos os santos / Bombarral
Cantico ao pedir da agua / Batalha
Cantico ao Espirito Santo / Batalha
Bendito da Eucaristia / Batalha
Loas a Santo Antonio /Batalha
S. Joao / Bombarral
Loas do Fecho do Qrio / Lourinha
Marcha do Qrio / Turcifal
Trecho da Missa / Alcobaca
Trecho de Arraial / Alcobaca
Marcha do Cirio / Lourinha
Loas a Senhora da Nazare / Mafra
Senhora da Nazare / Nazare
O amor e o divertimento Designa^ao / Lugares (registos fonograficos)
Marcha do Tanganho / Lourinha
No alto daquela Serra / Caldas da Rainha
Enleio / Mafra
Fandango / Caldas da Rainha
Fandango da Ronda / Lourinha
Fandango cantado / Caldas da Rainha
Verde-gaio / Obidos
Verde-gaio / Lourinha
Valsa de dois passos / Torres Vedras, Maxial
Valsa de dois passos / Obidos
Fado batido / Torres Vedras
Vira de dois pulos / Mafra
Chotica / Torres Vedras
Bailarico / Torres Vedras
Corridinho / Cadaval
Contradanca / Caldas da Rainha
Moda do balao (contradanca) / Obidos
Cana Verde / Leiria
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5.2 - Instrumentos
Uma outra categoria de objectos que obrigatoriamente tern de integrar o acervo de um
projecto museologico relacionado com as tradicoes musicais, sao os instrumentos. Os instrumentos
identificados por Jose Alberto Sardinha, na obra citada, podem ser agrupados do seguinte modo:
A) AEROFONES
Palheta
Flauta
Gaita de Foles
B) CORDOFONES
Violao
Bandolim
Banjolim
Rabeca
Viola Portuguesa
Guitarra
Sanfona
C) AEROFONES DE PALHETA METALICA LIVRE
Harmonio
Harmonio de boca
D) OUTROS AEROFONES
Ocarina
Gaita de amolador
E) MEMBRAFONES
Tambores
Pandeiro
F) IDIOFONES
Castanholas
Genebres
G) OUTROS
Pinhas ou pinharocas
Cega-rega
Reque
Matracas
Tracalholas
Bilha e abano
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Ferrinhos
Buzios
Cabaco
5.3 - Registos visuais (filmes em pelicula, filmes em video, documentos fotograficos,
gravuras, cartazes, etc.)
Nao existem ainda acervos ou coleccoes inventariadas, todavia temos conhecimento de
informantes e pessoas que potencialmente poderao contribuir para uma recolha de patrimonio
material e imaterial correlacionado com as tradicoes musicais.
5.4 - Os tocadores
As pessoas constituem a componente mais importante do patrimonio imaterial, pois sao elas
que transmitem de geracao em geracao as tradicoes musicais e orais, quer atraves de oficios -neste
caso de construtor de instrumentos ou de tocador- quer simplesmente pela comunicacao
oral/musical.
Os tocadores populares identificados por Jose Alberto Sardinha.
Nome Localidade
Antonio Probo dos Santos Lourinha
Joao Paulo Caldas da Rainha
Silverio da Silva Maxial
Joaquim Carvalho Torres Vedras
Joaquim Vitoriano dos Santos Cadaval
Joaquim Roque Torres Vedras
Joao Ferreira Campelos
Manuel Henriques Lourinha
Joaquim do Nascimento Alcobaca
Manuel Francisco Caldas da Rainha
Miguel Simoes Parcelas Sintra
Miguel Maria de Carvalho Loures
Vitor Hugo Mendes da Silva Caldas da Rainha
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Jose dos Reis Torres Vedras
Jose Gomes Bombarral
Joao Duarte Fereirra Mafra
Abilio de Almeida Lucio Porto de M6s
Francisco de Sousa Cruz Maceira
Alberto Ribeiro Torres Vedras
Joao Luis Caldas da Rainha
Joaquim Lourenco Pardal Alenquer
Jose sabino Dias Mafra
Antonio Luis Anastacio Lourinha
Antonio Pereira Junior Caldas da Rainha
Jesuina Narcisa Martins Torres Vedras
Joao Francisco Alegre Sintra
Jose Antunes de Almeida Obidos
Antonio Tiburcio da Eiras Freiria
Francisco Severino Lourinha
Mario Quaresma Sesimbra
Abilio dos Santos Lourinha
Emidio Malaquias Lourinha
Salvador Tavares Dias Torres Vedras
5.5 - Outras entidades: os ranchos folcloricos.
O fenomeno do «rancho folclorico» emergiu em Portugal durante as primeiras decadas do
Seculo 20, com o objectivo de revivificar as tradicoes locais de danca, musica e traje (Castelo-
Branco, 1989), contudo ao longo das decadas seguintes assistiu-se a uma instrumentalizacao deste
fenomeno pelo Estado Novo. Ultimamente verifica-se um significativo aumento destes grupos, num
movimento de reaproximacao as suas raizes atraves de notaveis trabalhos de pesquisa etnografica.
Numa logica de desenvolvimento estes grupos constituem parceiros naturais que devem
estar informados e motivados para participar.
Uma listagem ainda muito incompleta:
- Rancho Folclorico e Etnografico "Dancas e Cantares" da Mugideira
- Grupo de Dancas e Cantares do Concelho de Sobral de Monte Agraco - Serramena
Rancho Folclorico de Alenquer
- Rancho Folclorico do Carregado
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- Rancho Folclorico e Etnografico "Flores do Oeste"
- Rancho Folclorico da Colaria
- Rancho Folclorico "Dancas e Cantares de Campelos"
- Rancho Folclorico Etnografico Ceifeiras Fanadia
- Rancho Folclorico Etnografico Cultural Apanha Azeitona - Ramalhosa
- Rancho Folclorico Etnografico Os Azeitoneiros - Alvorninha
- Rancho Folclorico Etnografico Reguengo da Parada
- Rancho Folclorico e Etnografico da Sociedade Filarmonica Olhalvense
- Rancho Folclorico e Etnografico do Lourical
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II - A hipotese de um ecomuseu
(...) la societe de consomation a laquelle nous appartenons imprime en nous des idees
de valeur de marchande, propose des modeles etrangers a notre culture vivante
qui est devalorisee, enfin, parce que [existence d'administrations culturelles
a tous les niveaux et d'instituitions culturelles puissantes nous convainc
que la culture est quelque chose a laquelle il faut "acceder ",
et non pas quelque chose qui est a nous, en nous ett autour de nous.
(Valine, 2002, p. 35)
6. A nocao de tcomuseu de desenvolvimento
A historia recente da museologia (nova museologia) nao podia deixar de estar sinergica e
criticamente envolvida com as transformacoes socioculturais das ultimas decadas, provocadas pela
"globalizacao" e por fenomenos politico-financeiros de origem mundial, sendo um dos seus
documentos fundamentals a Declaracao de Quebec (1984).
Na sua obra «Les Racines du futur", Hugues de Varine refere a tensao existente entre dois
modos de entender a museologia; de um lado existira uma museologia preocupada com a oferta
turistica a partir de uma visao elitista da museologia tradicional (museologia turistica), mas ao
mesmo tempo uma outra forma de museologia (museologia popular) se desenvolveu com uma
perspectiva do patrimonio como recurso essencial da cultura e uma dimensao consubstancial do
desenvolvimento ao servico de todos, e nao apenas para interesse de alguns. Em suma, a
museologia tradicional «resulta sobretudo em museus adaptados a economia do turismo cultural,
muito mais do que a um desenvolvimento endogeno e participativo.» (Varine, 2005).
Judite Santos Primo e Mario Canova Moutinho elencam seis preocupacoes fundamentals de
um ecomuseu de desenvolvimento: «1. A articulacao do conjunto: Populacao- Patrimonio-
Comunidade; 2. O objectivo principal e o desenvolvimento integrado da regiao; 3. A
sustentabilidade do projecto; 4. A valorizacao das identidades locais; 5. A valorizacao das vantagens
especificas locais; e 6. A consolidacao do exercicio da Cidadania. » (Primo e Moutinho, 2002).
No presente caso de um projecto relacionado com o patrimonio imaterial, as vantagens
relacionadas com a sustentabilidade, a valorizacao das identidades, a consolidacao da cidadania
cultural atraves de uma participacao motivada, informada e consciente, parecem-nos ser bastante
provaveis. O patrimonio imaterial em questao tern o potencial de gerar inter-relacoes com outros
patrimonios materials e imateriais: artesanatos, gastronomias, festas populares, festas religiosas,
sitios, paisagens, etc.o que por si so e gerador de um desenvolvimento sustentavel nas suas quatro
dimensoes.
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7. A gestao participativa do patrimonio
Apesar de pouco divulgada e conhecida pelos cidadaos, a Lei 107/2001 que estabelece as
bases politicas e o regime de proteccao e valorizacao do patrimonio cultural, no seu Artigo 11,
afirma que todos tern o dever de preservar, conservar e valorizar o patrimonio cultural. Apelando
assim a participacao dos cidadaos na inventariacao do patrimonio.
O patrimonio entendido como recurso de desenvolvimento local e essencialmente um
assunto para os actores locais (agentes de desenvolvimento, empresarios, funcionario publicos,
politicos, dirigentes associativos, artesaos, etc.), e deve ser entendido sob o prisma do conceito de
subsidiariedade, sob o qual a gestao do patrimonio deve ser proxima dos detentores desse
patrimonio. So assim o patrimonio podera ser o recurso de desenvolvimento, nao havendo
desenvolvimento sem a participacao efectiva, activa e consciente da comunidade (Varine, 2002, p.
15).
Desde o conhecimento (e consumo) do patrimonio a gestao da comunicacao, passando pela
recolha e inventariacao, e possivel e desejavel fomentar a participacao das pessoas. Os passeios
colectivos (reperages) de que fala Varine (p.43), onde diversos participates comunicam o seu
conhecimento pessoal acerca do patrimonio, e uma forma de motivar o uso participado da memoria
e das narrativas individuals entrosando-as com o colectivo.
Talvez seja neste sentido de partilha da memoria e do patrimonio que Amadou Hampate Ba
dizia que «Em Africa, cada anciao que morre e uma biblioteca que se queima»10...o patrimonio
imaterial so sobrevive se for transmitido e vivido. No fundo, a transmissao da sabedoria pratica
(saber-fazer) faz-se sempre por via oral, pelo gesto e pela actuacao sobre os objectos.
O inventario participativo, a que ja aludimos anteriormente, e, segundo Varine, a forma mais
completa de inventario local, mas tambem a mais complexa e metodologicamente exigente de
implementar.
As metodologias participativas em Portugal e o seu uso em iniciativas politicas locais sao
ainda muito debeis, e quando utilizadas sao normalmente um simulacro sem consequencias a medio
e longo prazo. A este proposito, num estudo muito recente intitulado Governdncia Municipal.
Cidadania e governagdo nas cdmaras municipais portuguesas, Arnaldo Ribeiro concluia que «o
panorama nacional nao sera portanto muito animador neste dominio, com o recalcamento da
participacao dos cidadaos nos assuntos da coisa publica.» (Ribeiro, 2007, p. 188). Varios
investigadores tern chegado a conclusoes semelhantes, evidenciando tambem que «os Portugueses
tern 'muito' ou 'algum' receio de exprimir publicamente uma opiniao contraria a das autoridades
10 Cf. Georges Condominas. Investigation y Salvaguardia del Patrimonio Inmaterial. In revista Museum n° 221/222.
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poHticas»n.
Nos ultimos anos tem-se verificado um incremento de modelos participativos ao nivel da
gestao municipal. A agenda 21 local, o Orcamento Participative) ou a Carta Educativa, sao
iniciativas que de algum modo suscitam a participacao das comunidades.
Este topico da participacao deixou ha muito de ser um mero capricho ou opcao, passando a
ser uma caracteristica das democracias mais avancadas. A existencia de uma sociedade civil solida e
a espinha dorsal da democracia e esta marcada por uma preocupacao pela solidariedade humana.
Quanto ao objectivo de estabelecer um processo participativo para um ecomuseu, Joelle Le
Marec e Alexandre Delarge (Marec e Delarge), propoem um metodo que tern em conta os
utilizadores motivados e os nao utilizadores das instituicoes culturais, delineado nas seguintes fases:
FASE 1 - Preparacao. Informacao geral sobre o projecto e a sua dimensao participativa, para a
imprensa e dinamizacao de redes.
FASE 2 - Inqueritos e entrevistas a grupos de habitantes menos motivados e sem habitos de
frequencia de museus. Apresentacao do projecto do ecomuseu em grupos.
FASE 3 - Exploracao dos resultados dos inqueritos e entrevistas. Propostas que visem a implicacao
das pessoas menos motivadas.
FASE 4 - Constituicao de grupos de habitantes mais motivados. Grupos de voluntarios.
FASE 5 - Formacao e informacao acerca do projecto e do funcionamento participativo.
FASE 6 - Producao e publicacao de um relatorio sintese das fases anteriores. Debates com todos os
participantes.
11 Manuel Villaverde Cabral, in revista Con(m)textos de Sociologia, n°l/2001, p.17
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8. Delineamento conceptual para um ecomuseu das Tradicoes Musicais da Regiao Oeste
O espaco de funcionamento do ecomuseu sera em ambiente rural, e podera ter a sua sede
numa das aldeias ou vilas do norte do concelho de Torres Vedras ou num dos concelhos limitrofes
do Bombarral ou Cadaval. Esta localizacao rural do projecto beneficia e incorporara as dimensoes
paisagisticas e ambientais, bem como os produtos e os servicos proprios da regiao. Numa logica que
permita o desenvolvimento das actividades produtivas tradicionais, do turismo e da gastronomia.
A partir da obra de Jose Alberto Sardinha podemos equacionar um esboco para um
programa museologico, permitindo-nos imaginar a reuniao entre a intangibilidade da tradicao oral e
musical com a vida social, os valores e as pessoas, dando assim corpo ao patrimonio cultural na sua
dupla vertente. As suas recolhas e gravacoes dividem-se em tres grandes temas funcionais: O
Trabalho, o Sagrado, o Amor e Divertimento, os quais estao intimamente conotados com diversos
momentos da tradicao musical em ambiente rural: «o trabalho - aqui falaremos dos amanhos da
terra, das lavouras, da colheita, da debulha e respectivos cantares; o sagrado - onde focaremos as
relacoes do homem rural com a divindade, mormente nas suas manifestacoes religiosas, mas
tambem noutras praticas de simples conteudo magico ou simbolico; o amor e o divertimento - em
que descreveremos os costumes ludicos, com particular realce para os bailes rusticos, as suas dancas
e instrumentos.»12
Os tres horizontes referidos seriam aqueles que poderiam constituir a base do modelo
interpretativo de um ecomuseu das Tradigdes Musicais da Regiao Oeste. A partir dessa plataforma
tematica surgiria a interligacao entre os objectos materials proprios de cada uma daquelas vivencias
e os registos imateriais em forma de som, de imagem ou de audiovisual; conjugando-se de forma
pertinente instrumentos musicais, objectos agricolas, utensilios, trajes, fotografias, recolhas orais e
musicais, filmes em video ou pelicula, etc.
A riqueza interna de cada um dos grandes temas funcionais apontados e de tal modo vasta
que nao podemos senao apontar alguns exemplos. No que respeita ao sagrado ou a religiao popular,
as recolhas e investigacoes disponibilizadas pelo investigador dividem-se em dois ciclos: o ciclo do
Inverno, que essencialmente consiste nos ritos relacionados com o culto dos mortos, onde constam
o Pao por deus, a Natividade, as Janeiras e os reis, as Celebracoes de Sao Sebastiao, as Musicas do
Entrudo, os cantos as almas dos purgatorio ou as procissoes; e o ciclo da Primavera-Verao,
evocativo do renascimento da vida agricola e espiritual, que contem os Canticos de aleluia de
Pascoa, os ritos propiciatorios, os Imperios do Espirito Santo, as Festividades do corpo de Deus, Os
cirios e as loas...
12 Sardinha, pp. 25-26
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No campo de accao do Amor e do Divertimento sao apontadas algumas dancas e cantares,
tais como a danca de roda, o fadango, o verde-gaio, o fado, a chotica, o corridinho, a contradanca ou
o bailarico. Relativamente a este contexto e de salientar a importancia dos varios grupos de folclore
da Regiao Oeste e a sua contribuicao para a vitalidade de algumas tradicoes.
Se em muitas povoacoes as festas nao se resumem as dancas tipicas e aos cantares
tradicionais, a verdade e que os bailes se vao mantendo dos modos mais diversos e acompanhados
por agrupamentos musicais populares, que a sua maneira, e tambem ela muito variada, contribuem
para a renovacao musical da tradicao. Neste contexto e interessante constatar a nivel nacional a
existencia de multiplas actividades culturais relacionadas com a musica e as dancas tradicionais.
No capitulo do Trabalho, e numa regiao onde ainda persiste muita actividade agricola mais
ou menos industrializada, Jose Alberto Sardinha identifica dois ciclos: o ciclo do pao e o ciclo do
vinho, entre outros cantos do trabalho rural como a cantiga do boieiro, o cantar a pedra e as cantigas
do mar. Os pregoes, os embalos e os romanceiros integram-se tambem neste grupo.
O que realmente importa e interpretar as memorias do lugar e os lugares da memoria, em
conjunto com os processos de mudanca social e os seus protagonistas, para que o habitante e o
visitante conhecam e descubram num contexto alargado de referencias. Nao esquecendo nunca o
intercambio com as outras culturas, o que faz do museu um lugar privilegiado do cosmopolitismo e
da interculturalidade, assumindo-se ai o patrimonio como um recurso e um bem comum da
humanidade.
Um projecto, seja ele de que genero for, so tera sentido se tiver em consideracao a
comunidade em que esta inserido. No nosso caso esta atencao deve ser redobrada, uma vez que
estao em causa bens culturais imateriais representatives da identidade e dos valores tradicionais das
comunidades.
A comunidade envolvente nao e apenas um conjunto de publicos ou meros consumidores.
Deve ser vista, de igual modo, numa optica participativa. No projecto do ecomuseu, dada a sua forte
componente etnografica/etnologica, a comunidade torna-se essencial na prestacao de informacao e
na recolha de dados uteis as pesquisas. Tambem nao podemos esquecer que e do seio da
comunidade que normalmente emergem os mecenas ou os prescritores dos projectos.
Para alem das relacoes estabelecidas de modo mais intenso com as comunidades
directamente envolvidas no processo do ecomuseu, procuramos identificar o publico-alvo
dividindo-o em cinco grupos: Publico Regional, Publico da Diaspora, Visitantes exteriores a
regiao/Turistas, Investigadores, e Publico Escolar.
O Publico Regional integra o publico em geral oriundo de toda a Regiao Oeste.
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O Publico da Diaspora, constituido pelos habitantes da regiao que emigraram e que se
encontram espalhados um pouco por todo o mundo..
Os Turistas que cada vez mais sao uma importante fonte de receitas com um crescente
numero de visitantes (tanto nacionais como internacionais).
Os Investigadores encontrarao no ecomuseu um arquivo fonografico e um centro de
documentacao especialmente vocacionados para a pesquisa em torno das tradicoes musicais.
O Publico Escolar que integra os profissionais da musica e meios audiovisuais e a
populacao, os professores do ensino basico e os alunos. Devendo estabelecer-se uma relacao
especial com o programa de educacao musical do 2° ciclo do ensino basico, dada a
existencia de um capitulo exclusivamente a elas dedicado.
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9. Fun?6es, servi?os e componentes
Descrevem-se de seguida alguns servicos essenciais que o ecomuseu das Tradicoes Musicais
da Regiao Oeste deve disponibilizar numa logica de servico publico.
Todavia, estamos consciente de que ainda faltam elencar outras funcoes e servicos.
AROUIVO FONOGRAFICO / FONOTECA
Na Lei de Proteccao e Valorizacao do Patrimonio Cultural (Lei n° 107/2001), o patrimonio
fonografico encontra uma atencao especial no Artigo 89.°, do qual citamos a primeira alinea:
«Integram o patrimonio fonografico as series de sons, fixadas sobre qualquer suporte, bem como as geradas ou
reproduzidas por qualquer tipo de aplicacao informatica ou informatizada, tambem em suporte virtual, e que, tendo sido
realizadas para fins de comunicacao, distribuicao ao publico ou de documentacao, se revistam de interesse cultural
relevante e preencham pelo menos um de entre os seguintes requisitos(...)»
Um arquivo fonografico e um equipamento e um servico fundamental no que respeita a
conservacao das gravacoes e recolhas etnomusicologicas, devendo ter a sua guarda os registos
originais efectuados, de modo a promover o acesso -presencial e a distancia- ao patrimonio
fonografico, contribuindo para a memoria e identidade cultural da comunidade atraves da
preservacao de todo o espolio ja existente, transferindo-o para arquivos digitals, e proceder ao
levantamento exaustivo de registos analogicos originais, bem como cuidar das criacoes sonoras
contemporaneas.
A criacao de uma base de dados do arquivo fonografico devera ainda conter os "metadados"
correspondentes a uma melhor identificacao do patrimonio fonografico, anexando documentos
iconograficos de pessoas, instrumentos ou lugares, biografias dos tocadores, etc.
CENTRO DE DOCUMENTACAO / FONOTECA
Este servico devera conter uma componente de arquivo para a conservacao de documentos
impressos e para a sua digitalizacao. Sera tambem um local de accesso a informacao bibliografica
especializada nas varias tematicas do patrimonio das tradicoes musicais. Devera por isso ser capaz
de fornecer o acesso ao conhecimento cientifico, mas tambem popular, produzido pelas varias
instancias.
E naturalmente fundamental que tenha um vasto repertorio de registos musicais
especializado em musica tradicional e popular de varias partes do mundo.
SERVICO DE EXTENSAO ESCOLAR e EDUCACAO POPULAR
Dada a importancia que a componente escolar tern em ou devera ter em qualquer
programacao museologica este servico tera por funcao a planificacao, animacao e aprofundamento
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da relafjao do museu com a comunidade escolar, especialmente com a disciplina de educacao
musical do 2° ciclo do ensino basico.
A educacao popular para o desenvolvimento visa, segundo Hugues de Varine, «criar ou
reforcar a comunidade e o seu controlo sobre o respectivo territorio, fornecendo-lhe os necessarios
instrumentos para a concepcao, expressao e formulacao de projectos, assim como para a sua
concretizacao e para a cooperacao interna e externa. Nesta abordagem, nao se pode falar de
publicos especificos, tal como se fala no ensino classico ou na accao cultural e artistica. E certo que
cada um deve poder ai encontrar respostas as suas necessidades proprias, em fun9ao do grau de
desenvolvimento pessoal a que chegou.» (Varine, 2004, p. 37).
OFICINA DE INSTRUMENTOS
Espa90 oficinal dedicado ao restauro e construcao de instrumentos. Devera contar com a
participacao dos construtores dos varios tipos de instrumentos residentes na Regiao Oeste.
EXPOSICOES DE LONGA DURACAO (Trabalho. Sagrado. Amor e Divertimento^)
Como anteriormente referimos esta triade tematico-funcional definida por J.A.Sardinha,
parece-nos ser uma base sustentavel de programacao de exposi9oes e de actividades culturais em
torno das colec9oes, das recolhas fonograficas e visuais, e dos objectos proveniente do patrimonio
material relacionado com as funcionalidades descritas.
O patrimonio imaterial carece de alguma materialidade onde se possa inscrever, dai o
interesse em coloca-lo em comunhao com o seu universo social e material, com os registos das
pessoas que os produziram e com as diversas expressoes, bem como com os objectos usados.
Promovendo-se para esse efeito o recurso as tecnologias disponiveis e ao audiovisual, de modo a
conjugar de forma pertinente para o publico ambas as dimensoes patrimoniais.
ESPACO AO AR LIVRE PARA ESPECTACULOS
Este e um espa90 absolutamente necessario para a vivencia do patrimonio das Tradi9oes
Musicais, quer do ponto de vista da organiza9ao de espectaculos de actua9oes profissionais, quer
para o usufruto dos criadores amadores e das expressoes mais populares e comunitarias.
Seria interessante promover um festival de sonoridades tradicionais que de a conhecer as
novas tendencias da musica tradicional produzida em Portugal.
PROJECTOS DE INVESTIGACAO E ESTUDO
Criar uma linha de financiamento para a promo9ao da investiga9ao das tradi9oes musicais e
de tematicas afins, com um enfoque especial nas problematicas da etnomusicologia contemporanea.
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10. Aspectos programaticos: estrategia de desenvolvimento
Na situacao actual nao existem ainda coleccoes prontas a integrar o acervo do ecomuseu.
Tera por isso de haver uma fase de aquisicao e recolha de patrimonio material relacionado com as
tradicoes musicais: instrumentos musicais, documentos iconograficos (fotografias, registos em
filme e video, cartazes, etc.), objectos relacionados com as areas tematicas descritas.
O unico espolio que seguramente existe e constituido pelas recolhas etnomusicologicas de J.
A. Sardinha, designadamente as gravacoes sonoras.
Existem alguns contactos de informantes, de construtores e de tocadores de instrumentos
musicais, que podem facilitar a tarefa de iniciar uma coleccao. De qualquer modo, e dada a
metodologia participativa que prevemos aplicar na execucao do projecto, sera certamente viavel que
os actores locais/regionais fornecam pistas e estejam na disposicao de colaborar na constituicao de
um acervo significativo. Neste ambito tera de ser definida uma politica de incorporacao, a qual
devera estar de acordo com a missao e os objectivos do ecomuseu.
Um ecomuseu da Regiao Oeste (ver anexo 2) deve encontrar uma solucao de comunicacao
que permita comunicar com toda a regiao, assim, pensamos que a programacao de exposicoes
itinerantes pode contribuir para uma aproximacao aos cidadaos dos concelhos da regiao. Estas
exposicoes itinerantes devem ser concebidas a partir de uma investigacao mais localizada no
concelho em questao de modo a motivar parcerias locais e a desenvolver estrategias relacionais com
os habitantes detentores de espolio e com tocadores ou construtores de instrumentos musicais.
Na perspectiva da itinerancia, bem como para todo o trabalho do ecomuseu, e necessario
proceder a um diagnostico da "rota dos museus do oeste", e saber se existe efectivamente uma rede
de espacos museologicos na regiao e uma rede informacional focada nos recursos patrimoniais da
regiao.
O recurso as tecnologias de informacao e um aspecto fulcral no desenvolvimento de
produtos e servicos. O patrimonio intangivel e um recurso com elevado potencial economico, sendo
aquele que pela sua plasticidade e imaterialidade melhor se adequa aos processos de producao e
difusao associados as tecnologias de informacao, designadamente a digitalizacao. De facto, os
conteudos culturais que constituem, por exemplo, as recolhas de som e de imagem de tradicoes
orais e musicais podem facilmente ser disponibilizados em suportes digitals ou em linha, sem que
dai resultem perdas de significado ou reducoes significativas da qualidade da percepcao.
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11. Apontamentos sobre a estrategia
Avisao
E amplo o reconhecimento dado a importancia de valorizar e proteger as memorias e as
manifesta9oes culturais representadas, em todo o mundo, por monumentos, sitios historicos e
paisagens culturais.
Mas nao e so de objectos fisicos que se constitui a cultura de um povo. A identidade cultural
de uma comunidade e um processo dinamico que inclui aspectos tao diversos como a Hngua, as
tradicoes populares ou os lugares e a sua vivencia, aspectos que ligam o futuro ainda em aberto as
geracoes precedentes, conferindo um sentido de continuidade e um contexto necessario a sua
sustentacao.
A preserva9ao e valoriza9ao do patrimonio imaterial e um projecto que, pelo seu potencial
emancipatorio junto das comunidades, e motivador da participa9ao das pessoas, promovendo um
sentido de comunhao em torno de valores e bens culturais.
O ecomuseu das Tradi9oes Musicais da Regiao Oeste permitira aos Oestinos, mas tambem
aos cidadaos do mundo, a partilha e a valoriza9ao de uma cultura vasta e singular.
A estrategia de um projecto de preserva9ao e divulga9ao do patrimonio cultural tern de ter
em conta duas fases principals:
- A primeira diz respeito a opera9oes destinadas a: 1) prospec9ao, 2) estabiliza9ao e
tratamento, 3) digitaliza9ao e 4) indexa9ao e cataloga9ao;
- A segunda fase da estrategia prende-se essencialmente com a divulga9ao e prossecu9ao das
aquisi9oes, bem como o estabelecimento de redoes institucionais com vista a troca de
informa9ao e experiencias.
Natureza Juridica da Institui9ao e financiamento
Pensamos que uma Funda9ao de capitals mistos, privados e publicos, e a melhor solu9ao
para iniciar o processo da constitui9ao do ecomuseu. Devera contar com a presen9a fundamental do
espolio do Dr. J. A. Sardinha, e teria toda a pertinencia que fosse tambem o presidente da Funda9ao,
com fun9oes de direc9ao do proprio ecomuseu. A Associa9ao de Municipios do Oeste, em
representa9ao das autarquias, seria outro dos fundadores.
Quanto ao capital inicial da funda9ao, haveria que encontrar, para alem do financiamento
publico, parceiros privados que seriam mecenas e/ou co-fundadores.
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12. Conclusao
O capital fundamental que sustenta a intencao da criacao de um ecomuseu das Tradicoes
Musicais da Regiao Oeste e sem duvida a riqueza do seu patrimonio imaterial: «a musica
tradicional estremenha em nada fica a dever, em qualidade estetica e riqueza etnografica, a de
muitas outras provincial' (Sardinha, p. 25).
Outra vantagem incontornavel prende-se com as investigacoes ja efectuadas e publicadas,
inclusivamente com os trechos musicais gravados em CD e a sua transcricao para partitura. O
projecto de um futuro ecomuseu seria a possibilidade de transformar um trabalho de alta qualidade
no campo da etnomusicologia, numa realidade palpavel e em recurso de desenvolvimento ancorado
no patrimonio. Permitindo-se deste modo que o esforco dos investigadores fosse reconhecido, para
alem da sua qualidade intrinseca, como um fortalecimento cultural das comunidades.
Essencialmente pelas razoes apontadas, pensamos que a efectividade de um Ecomuseu das
Tradicoes Musicais da Regiao Oeste seria, numa perspectiva de desenvolvimento cultural da Regiao
Oeste, e mais especificamente na sua politica de patrimonio, um elemento diferenciador na ja
existente Rota dos Museus do Oeste.
Numa proxima fase de trabalho tera de haver lugar ao delineamento do piano e dos
programas museologicos, de modo a conceber as decisoes tecnicas e metodologicas apropriadas as
necessidades especificas do projecto. Os Programas Museologicos serao os instrumentos que
permitem a materializacao da conceptualizacao museologica em solucoes museograficas, por esta
razao devem integrar o Piano Museologico.
Em etapa posterior teriam ainda de ser definidos os projectos expositivos que concretizem o
objectivo comunicacional e pedagogico do ecomuseu.
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Anexo 1 - demarcagao da Estremadura e da Regiao Oeste
\
----Demarcagao da Regiao Oeste (da minha responsabilidade)
□ □^^^> Integracao de recolhas dos concelhos adjacentes(da minha responsabilidade)
Fonte da imagem de base: SARDINHA, Jose Alberto (2000). Tradigdes Musicals da Estremadura. Vila Verde, TRADISOM.
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Anexo 2
REGIAO OESTE
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